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Financiamento habitacional e uso do FGTS dominam debates da 2ª Rodada de Negócios da Habitação da CBIC

publicado em 10/04/2026

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A Vice Presidente do SindusconPR, Mariana Boareto, e o VP de Habitação de Interesse Social da entidade, Pedro Braga, participaram ontem (9 de abril) da 2ª Rodada de Negócios da Habitação, realizada em Brasília, pela Comissão de Habitação de Interesse Social da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CHIS/CBIC). O encontro reuniu empresários, dirigentes da entidade, representantes do governo e agentes financeiros para discutir o cenário do crédito imobiliário e alinhar prioridades do setor ao longo do ano.

Na reunião, o presidente da CBIC, Renato Correia, destacou o papel estratégico do FGTS para a política habitacional e para a continuidade dos investimentos no setor. Segundo ele, o fundo é essencial para garantir a produção de moradias e sustentar o programa habitacional do país.  

“Quanto mais a gente conversa, mais a gente vê a importância. O Minha Casa, Minha Vida é um negócio que a gente tem que preservar como política de Estado. Porque fazer o que está sendo feito em termos de quantidade de habitação, o quanto isso impacta na vida das pessoas, seja no emprego ou na moradia, e que o país precisa muito. Para isso, o FGTS é peça-chave”, afirmou. 

O vice-presidente de Habitação de Interesse Social da CBIC, Clausens Duarte, chamou atenção para riscos relacionados à sustentabilidade do FGTS, especialmente diante de propostas que ampliam hipóteses de saque ou desviam o foco original do fundo.  

“Precisamos preservar o equilíbrio do FGTS para garantir a continuidade das contratações habitacionais”, disse. 

Debate sobre financiamento e orçamento 

Durante a programação, especialistas e representantes do setor público discutiram o cenário do financiamento habitacional, com foco na execução orçamentária do FGTS e do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) para 2026, além de temas como custos das obras, jornada de trabalho, regularização e relacionamento com concessionárias.  

Representando o Ministério das Cidades, a diretora de Provisão Habitacional, Ana Paula Peixoto, apresentou dados de desempenho do programa habitacional e destacou o aumento das contratações no primeiro trimestre do ano. Segundo ela, o ritmo de produção tem crescido em relação ao ano anterior, com perspectiva de ampliação das unidades financiadas ao longo de 2026.  

“A meta do governo federal é chegar ao final do ano com 850 mil unidades contratadas”, destacou. 

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Importância do FGTS para o setor 

Convidado do encontro, o ex-ministro do Desenvolvimento Regional Daniel Ferreira enfatizou o papel do FGTS como instrumento essencial para o desenvolvimento habitacional e econômico do país. Ele afirmou que o fundo é fundamental para sustentar o crédito, gerar empregos e reduzir desigualdades regionais, além de atuar como mecanismo anticíclico em momentos de crise.  

Ferreira também alertou para a necessidade de ampliar a conscientização sobre a relevância do FGTS, defendendo que o fundo seja preservado e utilizado de forma estratégica para garantir investimentos em habitação e infraestrutura.  

“O FGTS é um desafio de conscientização. A sociedade tem que se conscientizar do que significa o FGTS para os brasileiros. Às vezes, um pedreiro que faz a construção de uma habitação tem um emprego formal e pode comprar um imóvel naquele mesmo empreendimento com o FGTS. E ele não sabe”, disse.  

Representante da CBIC no Conselho Curador do FGTS, Maria Henriqueta Arantes Alves destacou a importância do trabalho técnico na defesa do fundo e da política habitacional. “Contrariamos interesses, mas sempre buscamos acordos em nome da grandeza e da defesa dos nossos princípios”, afirmou.   

Cenário do crédito habitacional 

Pela Caixa Econômica Federal, o líder da Superintendência Nacional de Habitação Pessoa Jurídica, Raul Gomes, avaliou que o cenário atual é positivo e que o setor vive um trimestre com resultados expressivos. Segundo ele, a ampliação dos recursos e o fortalecimento das linhas de financiamento contribuíram para melhorar o desempenho das contratações.  

“Hoje a gente pode afirmar sem sobra de dúvidas que essa discussão é uma não-discussão de um problema de fundo, e hoje a gente está puxando um trimestre fantástico”, disse, ao comparar os resultados recentes com o cenário do ano anterior.    

Soluções de financiamento 

Durante o encontro, a instituição financeira Creditú apresentou propostas para ampliar o acesso ao crédito habitacional. Participaram da apresentação David Muñoz, CEO Brasil da Creditú, e Armando Botelho, responsável pela área comercial no país.  Os representantes defenderam a criação de mecanismos financeiros para suprir a lacuna da entrada do financiamento imobiliário, com objetivo de ampliar o acesso à moradia e acelerar as vendas das incorporadoras.  

Botelho ressaltou que o principal desafio do mercado está no financiamento da entrada do imóvel. “A entrada está no lugar errado. O cliente precisa comprar e ele não tem a poupança. Hoje, quem faz isso é a incorporadora. Vocês, as incorporadoras, para não perder negócio, assumem o papel de financiador do cliente”, explicou.   

Também participaram do encontro os representantes da Caixa Econômica Federal: o superintendente nacional de Habitação, Alexandre Martins, e a gerente nacional de Fundos e Contratos de Políticas Públicas, Marise Viegas. 

Fonte: CBIC

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