publicado em 22/05/2026
A industrialização da construção civil deixou de ser um movimento restrito às grandes empresas e começa a ganhar espaço também entre pequenos negócios do setor. Essa foi a principal mensagem do painel “Construa Mais: Industrialização para Pequenos Negócios”, promovido pelo Sebrae durante o Encontro Internacional da Indústria da Construção (ENIC) 2026, um assunto que atraiu empresários, especialistas em inovação, representantes da indústria e lideranças da construção.
O palestrante Antônio Gilberto de Freitas Filho, diretor geral do Instituto de Tecnologia de Industrialização das Edificações, mostrou como novas tecnologias, processos industrializados e soluções digitais podem ampliar produtividade, reduzir desperdícios e aumentar a competitividade das pequenas empresas da construção brasileira. “A industrialização vence a fragmentação, a baixa previsibilidade e o retrabalho, por exemplo. Enquanto isso, a obra ainda limita a produtividade”, disse Filho.
O painel também reforçou que a industrialização não se resume a grandes fábricas ou sistemas altamente complexos, mas envolve mudanças graduais de gestão, planejamento, padronização e uso de tecnologia capazes de transformar a rotina das pequenas construtoras.
Segundo ele, “mecanizar a obra é transformar a construção em um sistema integrado, capaz de criar novos ambientes para empreender”. Esse modelo gera empresas mais estruturadas, mais produtivas e competitivas, com inovação aplicada, estimulando a expansão do mercado. Desse modo, a industrialização representa atualmente, uma necessidade inevitável e competitiva para empresas de todos os portes.
“Quem conseguir incorporar planejamento, tecnologia e racionalização construtiva terá mais produtividade, menos desperdício e melhores condições de competir no mercado”, disse Antônio Filho. “A modernização da construção não pode ficar concentrada apenas nas grandes empresas. Pequenos negócios também precisam participar desse processo para que o setor avance de forma mais equilibrada e sustentável. Inclusive para atrair a mão de obra mais jovem”, acrescentou.
O ENIC é uma realização da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e Correalização do Sesi e Senai; conta com o Apoio Institucional da EMBRAPII; Patrocínio Oficial da CAIXA e Governo do Brasil, onde tem patrocínio CAIXA, tem Governo do Brasil; Patrocínio Institucional da CNI e IEL e do CAU/BR; Patrocínio Hub de Tecnologia da Schneider Eletric e Steck; Patrocínio Hub de Inovação do Sebrae; Patrocínio Naming room de Tecnologia da ABDI; Patrocínio Ouro da ApexBrasil, Saint-Gobain, Paggo, Brain e Kata; Patrocínio Prata da Agilean, AltoQi, Atlas Schindler, Esaf, Konstroi, Senior, Sienge, Cofer, Confea Crea – SP e da Mútua; Patrocínio Bronze da TOTVS, Zigurat, Exxata, Fastbuilt, Falconi, Sinaenco, Sinicon, além do Patrocínio Visibilidade da Trimble.
Implementação gradual – Outro ponto discutido no painel foi a necessidade de capacitação profissional voltada às novas demandas da construção industrializada. “Um dos grandes desafios da construção é ganhar o interesse de uma juventude que não tem mais o ‘sonho do CLT’, mas deseja ser empreendedor e por isso entra a importância do trabalho do SEBRAE, que entende o cenário como uma alternativa de integrar pessoas e conectá-las a ideais e objetivos de vida que vai para além de ganhar dinheiro”.
“A industrialização não significa substituir pessoas, mas melhorar processos. Pequenas empresas podem começar com mudanças simples, organizando melhor o planejamento, logística e a execução”, afirmou Filho. O palestrante ressaltou que muitos pequenos empresários ainda associam industrialização a investimentos inacessíveis, quando, na prática, diversas melhorias podem ser implementadas de forma gradual.
Além disso, a industrialização foi apontada como ferramenta importante para enfrentar gargalos históricos do setor, como processos desconexos e improvisos. A industrialização, segundo Filho, segue uma lógica integrada, que favorece uma montagem mais eficiente e construções mais leves que geram escala e competitividade.
O mercado precisa de um empreendedorismo coletivo, estratégico e atento aos movimentos reais do setor. Transformar a construção civil exige permitir evoluções progressivas, avaliar e mapear regionalmente as diferentes realidades das obras e respeitar o momento, as necessidades e a capacidade de adaptação de cada empresa e território. Só a partir desse entendimento é possível oferecer soluções alinhadas ao que o mercado realmente precisa.
Tecnologia e processos – “São as pequenas empresas que conseguem oferecer ao cliente um serviço personalizado que se diferencia no atendimento, por exemplo, principal queixa da classe média na hora de contratar uma reforma”, ressaltou o palestrante.
A sustentabilidade também apareceu como um dos fatores impulsionadores da industrialização nos pequenos negócios. O painel ressaltou que sistemas construtivos mais racionalizados contribuem para redução de resíduos, uso mais eficiente de materiais e menor impacto ambiental das obras.
Com o encerramento do painel ficou claro que a industrialização tende a se tornar cada vez mais presente na rotina das pequenas empresas da construção brasileira, seja por meio de novas tecnologias, seja pela adoção gradual de processos mais eficientes e organizados, o que favorece o empreendedorismo em grupo e individual.
Construir com respeito é construir para todos. Racismo não tem vez!








