O painel que abriu as discussões na Comissão de Política e Relações Trabalhistas, a CPRT, chamou a atenção para um assunto preocupante em todo o mundo: o aumento no desemprego. Em seu discurso na abertura ENIC, José Carlos Martins, presidente da CBIC, deu o alerta: a previsão é que 500 mil postos de trabalhos sejam fechados este ano, apenas no setor da construção civil.
A francesa Jessica Pretto, especialista em Relações do Trabalho na França aponta que na França é alta a taxa de desemprego, tanto quanto na União Europeia, algo em torno de 28 milhões de desempregados. O maior problema, e também a maior preocupação, está na fatia que contempla os jovens entre 15 e 24 anos: na França 24% estão sem ocupação profissional.
José Pastore, professor da Universidade de São Paulo, fez a análise em relação ao Brasil. Neste ano o País deve registrar 9,5% no índice de desemprego, uma previsão de 1,2 milhões de empregos destruídos. Na construção civil, setor que agrega e muito para a economia, o número é ainda mais alarmante: estima-se a redução de 30 mil postos de trabalho mensais, resultando, de acordo com a CBIC, em 500 mil postos no ano.
Problemáticas
A França é o berço do sindicalismo, que sempre buscou a valorização desacerbada de aumentos salariais, o que resultou hoje num custo de mão de obra muito elevado, sendo um implicador para a economia do próprio País. O valor pago por hora de trabalho está na faixa dos 9 euros, o que corresponde a mais de R$ 7 mil reais mensais. No Brasil, o valor mensal fica próximo a R$ 2 mil reais. E as consequências se sobressaem: o custo de produção é alto, não se desenvolve a economia e muitos postos de trabalho são fechados, o que acarretoa no aumento da taxa de desemprego. O vice-presidente de Política e Relações do Trabalho do Sinduscon-PR, Wladimir Mazzolla Morais, reforça que a realidade da França também passa pela informalidade, o que proporciona uma concorrência desleal e uma terceirização sem controle.
No Brasil, uma das questões preocupantes é a falta de “Previsibilidade” dos Investidores devido à legislação do País, com leis ocultas e muito subjetivas no cumprimento das regras, ocasionando uma insegurança jurídica que se torna empecilho para os investidores. Como resultado, a economia local perde devido à baixa competitividade, ausência de investimentos. ?Isso impacta negativamente na economia e reflete no mercado de trabalho. Falta investimento, diminui o dinheiro, aumenta os custos e por consequência, muitos postos de trabalho são encerrados?, ressalta Mazzolla Morais.
Novas medidas
Diante de tal situação, o Conselho Europeu desenvolveu um planejamento estratégico para o enfrentamento do desemprego até 2020, entre as quais estão: baixar a taxa de jovens saindo do sistema educativo (-10%); integrar 40% de pessoas de 30-34 anos com diploma superior no mercado de trabalho; pacotes de emprego para jovens. A França prevê um programa com 47 medidas cujo foco é a educação e acompanhamento dos jovens fora do sistema educativo, além da exoneração das cargas sociais, ajuda financeira anual, acordo setorial em favor da formação alternada.
Pastore falou sobre o Programa de Proteção ao Emprego, também chamado de PPE, que é um projeto do Governo Federal, já aplicado em vários outros países, e quem vem dando certo. A finalidade é proteger os empregos em momentos de redução temporária da atividade, manter vínculos empregatícios de longo prazo, garantindo os direitos dos trabalhadores e preservando a produtividade, preservar a saúde econômico-financeira das empresas, manter as contribuições ao FGTS e INSS e ainda, fomentar a negociação coletiva e aperfeiçoar as relações do trabalho.
Para o vice-presidente do Sinduscon-PR, em momentos de incertezas é fundamental o fortalecimento das Relações Trabalhistas com posturas e condutas éticas. Outro fator é considerar uma gestão mais próxima aos seus colaboradores buscando uma relação interpessoal eficiente, definindo muito bem as regras do jogo, tanto na contratação como no desligamento, investindo em treinamento e capacitação e sempre buscando melhorar a governança de seus gestores.
Outro passo importante é atentar-se às gerações futuras, os jovens, que muito em breve também estarão em busca de oportunidades profissionais. “Estamos muito próximo à França. Se não enxergarmos o que está acontecendo com as futuras gerações no campo de trabalho, vamos ter um colapso e vamos criar uma geração também desmotivada e sem perspectivas de futuro”, avalia Wladimir.







