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Tendência: student housing ganha força no Brasil e inaugura nova era de moradias universitárias

publicado em 24/11/2025

O déficit de moradias voltadas ao público universitário tornou-se um dos motores mais relevantes do mercado imobiliário brasileiro. O país ultrapassou 5 milhões de estudantes presenciais, sendo 1,5 milhão migrantes, segundo dados apresentados pela Brain. Ainda assim, a oferta de unidades estruturadas para esse público é mínima: apenas 4.100 camas formais em todo o território nacional. O contraste com mercados mais maduros é evidente. No Reino Unido, são quase 590 mil leitos estudantis; na França e Alemanha, 242 mil e 234 mil, respectivamente.

O movimento coincide com uma mudança importante no perfil do ensino superior. Após anos de avanço acelerado, o Ensino a Distância (EAD) desacelerou: entre 2023 e 2024, o crescimento foi de 5,6%, bem abaixo dos 13,4% registrados no período anterior. As restrições do MEC para áreas como saúde, psicologia e licenciaturas ampliam a permanência física nos campi e, com isso, a urgência por habitação. Globalmente, o setor acompanha trajetória semelhante. O mercado de student housing movimentou US$ 12,7 bilhões em 2024 e deve chegar a US$ 19,6 bilhões até 2033.

O que é student housing: modelo exclusivo para a vida universitária

Com a necessidade de maior presença física nos campi, a demanda por moradias especializadas tende a aumentar. Para Marcos Kahtalian, vice-presidente de Banco de Dados do Sinduscon-PR, esse cenário reforça a urgência por soluções dedicadas. “O student housing é um tipo de empreendimento no qual todas as unidades são voltadas exclusivamente à moradia estudantil. Ele não pode ter outra destinação”, afirma.

A explicação ajuda a diferenciar esse modelo do mercado tradicional. Kahtalian destaca que, ao contrário de prédios de estúdios e quitinetes, o student housing tem uma lógica própria. “Diferentemente de um prédio de quitinetes, que pode ter todo tipo de morador ou até mesmo hospedagem temporária, o student housing é 100% voltado ao estudante”.

Além disso, a localização é essencial. “Esses empreendimentos normalmente estão muito próximos das universidades. A ideia de o estudante ir a pé para a faculdade é central”, afirma. O modelo também opera com gestão profissionalizada, exigindo operação contínua e especializada. “Não basta construir. É preciso operar o empreendimento e prestar serviços aos alunos que ali vivem”, observa Kahtalian.

Um modelo pensado para a rotina acadêmica

O student housing ultrapassa o conceito de moradia compacta. Trata-se de um projeto concebido desde o início para promover integração, segurança e suporte acadêmico. A operação profissional centraliza contratos, padroniza pagamentos e otimiza ocupação, muitas vezes por meio de aluguel por leito, o que reduz custos para as famílias. Salas de estudo, coworking, cozinhas comunitárias e áreas esportivas compõem a infraestrutura que diferencia o modelo. “Esses empreendimentos atendem às necessidades reais do estudante, garantindo segurança, localização estratégica e ambiente acolhedor”, explica Gabriel Falavina Dias, diretor-executivo da incorporadora ALTMA.

Estúdios x student housing: diferenças fundamentais

Enquanto os estúdios tradicionais podem receber moradores de perfis diversos, como jovens profissionais, casais e turistas, o student housing é exclusivo para universitários. Isso se reflete em três pilares:

* Destinação exclusivamente estudantil: a ocupação é restrita a estudantes.

* Operação unificada e especializada: contratos digitais, gestão centralizada e serviços contínuos.

* Infraestrutura acadêmica e de convivência: ambientes de estudo, apoio ao desempenho acadêmico e estímulo à vida comunitária.

No país, o modelo começa a ganhar corpo. Pioneira na incorporação de student housing, a ALTMA lançou o B41 e, mais recentemente, apresentou o Hive, ambos ao lado de uma das maiores universidades de Curitiba, a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). O B41 teve 100% das unidades vendidas poucas horas após o lançamento, sinalizando demanda reprimida em centros universitários.

O Hive soma 131 unidades mobiliadas e equipadas, com áreas de estudo, cozinha compartilhada, minimercado, esportes e comércio no térreo. A previsão de conclusão é 2028. “O mercado possui enorme potencial devido à informalidade e ao déficit de oferta”, afirma Falavina. Para ele, o país vive um momento decisivo. “Esse mercado deve crescer rapidamente, derrubando barreiras para que jovens estudem em outras cidades com mais tranquilidade”. 

Com a mudança no comportamento universitário e a busca por experiências presenciais mais completas, o student housing não apenas se consolida como tendência, mas inaugura um capítulo na moradia urbana, mais conectado à mobilidade, à segurança e à vida comunitária. Uma transformação que começa nos campi, mas deve ultrapassar as fronteiras da universidade.

Fonte: Portal Itambé

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